Dado o avanço da inteligência artificial em diversos setores da economia, a modernização de sistemas legados passou a ser uma questão de resiliência comercial e sobrevivência estratégica. Em Portugal, o setor das Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) já representa 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Historicamente, os sistemas legados foram percebidos como o “núcleo estável” das empresas. No entanto, com o passar dos anos, o preço dessa estabilidade aumentou. 

As organizações que mantêm os sistemas desatualizados enfrentam custos que muitas vezes são inesperados e obrigam os CIOs a alocar uma boa parte dos seus orçamentos totais apenas para manter as aplicações legadas a operar

Neste artigo abordamos duas estratégias de modernização de sistemas legados com o uso da IA, de maneira que equilibrem a necessidade de agilidade e a preservação da lógica do negócio.

Por que a modernização de sistemas legados é importante no momento atual?

Antes de explorarmos as tecnologias, é preciso entender o risco de manter o status quo. O problema dos sistemas legados é alimentado por três fatores críticos:

Estratégias de modernização de sistemas legados: RPA vs. Automação Agêntica

A decisão técnica sobre como modernizar depende da acessibilidade ao código e da estruturação dos dados. A transição atual marca a evolução de modelos de automação rígidos para sistemas agênticos autónomos.

RPA com IA

Robotic Process Automation (RPA) atua na camada de interface do utilizador (UI), replicando ações humanas em sistemas que muitas vezes não possuem APIs modernas.

Automação agêntica

IA Agêntica (Agentic AI) representa o salto qualitativo da modernização. Diferente do RPA, opera na camada de lógica (Logic Layer) através de modelos de linguagem que “compreendem” o software.

Pilares fundamentais da modernização: Governança, dados e pessoas

A eficácia da modernização de sistemas legados com IA (seja através de RPA ou de IA agêntica) depende de uma fundação sólida e organizada.

Governança de dados e soberania digital

Nos setores altamente regulados, a conformidade com o RGPD é inegociável. A estratégia de soberania digital ganha força: o uso de modelos de IA privados que processam informações dentro do ambiente seguro da organização reduz a dependência de fornecedores globais e mitiga riscos de vazamento.

O cenário regulatório também evolui com o AI Act, que estabelece o primeiro quadro jurídico horizontal para o desenvolvimento, colocação no mercado e utilização de sistemas de IA na União Europeia

O valor dos dados proprietários

A modernização agêntica exige uma estratégia de Data as a Service (DaaS), onde a própria IA é utilizada para higienizar e catalogar dados legados de décadas antes da migração definitiva para a cloud.

Human in the loop e upskilling

A modernização tecnológica falha sem a modernização cultural. O foco deve ser o upskilling das equipas internas: transformar programadores de linguagens antigas em orquestradores de agentes de IA. 

Perguntas relacionadas 

Qual a principal diferença técnica entre RPA e IA Agêntica? 

O RPA automatiza tarefas ao nível de superfície (UI), replicando ações humanas repetitivas. A IA Agêntica atua na camada de lógica, sendo capaz de “entender” a arquitetura do software, extrair regras de negócio e realizar refatorações autónomas no código-fonte.

É possível modernizar sistemas COBOL sem risco de interrupção? 

Sim. A abordagem recomendada utiliza a IA para documentar exaustivamente as regras de negócio em velocidades recordes (como a conversão de 53k linhas em 1,5h) e criar APIs de integração que permitem a migração modular, mantendo a continuidade operacional.

Como garantir a conformidade com o RGPD usando IA? 

Através da implementação de modelos de linguagem privados e locais, garantindo que nenhum dado sensível saia da infraestrutura da empresa. Além disso, a IA pode automatizar a anonimização de dados em bases de teste e migração.

Conclusão

A modernização de sistemas legados deixou de ser um “mal necessário” para se tornar a base da economia digital. As organizações que superarem a automação rígida em prol de sistemas mais inteligentes liderarão o mercado.

Para que a evolução seja sustentável, a modernização deve ser orientada por dados. Na MJV, unimos tecnologia de ponta e estratégia de negócio para converter sistemas antigos em plataformas de alta performance.A sua jornada rumo à eficiência começa pelos dados. Conte connosco!